Minuto de (não) Sabedoria 3

Tem palavras que são indigestas mesmo. Ou você vomita, ou engole e sofre de Infecção Sentimento-ortográfica.

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Bilhetinho

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Eu queria que você soubesse que eu estou bem.

Dizem por aí que eu andei para trás. E é verdade, andei mesmo. Mas foi aquele passinho que impulsiona para frente, sabe?

E nesse novo jeito de caminhar, eu, que vivia no meio do meu furacão pessoal, agora tenho o coração em paz. A cabeça continua com aquele turbilhão de sempre, mas o coração… Esse encontrou uma tranquilidade que não via há muito tempo – ou talvez nem conhecesse.

Posso estar longe, mas hoje consigo compartilhar mais alegrias que insatisfações. É melhor assim. Adianta viver perto dividindo apenas as frustrações?  Eu prefiro a alegria, a saudade, a leveza.

Leveza. Eu me sinto mais leve. Não só pelos pesos que o corpo foi abandonando pelo caminho, mas principalmente pelas frustrações e medos que a alma abandonou.

Então, não se preocupe com a distância. Eu não acredito que bons relacionamentos são como rosas. São como cactus: sobrevivem aos períodos de seca e não deixam de brotar flores.

Eu realmente queria que você soubesse que eu estou bem. Estamos bem. Isso é tudo.

Dancing with herself

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Passava horas seguidas brincando sozinha. Sem achar solitário, sem ser autista, sem interferir no relacionamento com os coleguinhas da escola.

Sempre achou estranho quem tem necessidade de companhia constante; “Em que momento ele consegue ouvir a si mesmo se tem sempre alguém abafando a voz interior?” Você se diverte sozinha: cria situações cômicas, paranoias, perseguições, imagina diálogos, reescreve-os cinco vezes e dirige as cenas nas horas – dias até – em que fica só.  

E olha, você não precisa desgostar de ser assim, mas precisa admitir que não dá para dançar solo para todo o sempre. Porque eu sei que você é dura na queda da entrega, mas dessa vez você corre o risco de se apegar demais; curtindo muito a companhia que te entende, diverte e nunca vai embora: a própria.

Solilóquios

Image1.

– O problema é você.
–  …
– Fria, auto protegida ,distante, sempre na defensiva…
– Observe. Sempre que a embalagem é reforçada, o conteúdo é frágil.

 2.

– Cansei. Desgastou.
– Já?
– Um pneu de carro de Fórmula 1 não aguenta chegar ao final de uma corrida porque é usado até o limite. Mas o pneu de um carro de passeio roda por muito tempo; até careca, velhinho, ele dá pro gasto, né?
– É. Mas o que isso tem a ver?
– Desgastou. E não foi o tempo, foi  a intensidade.

3.

– Quase 25 anos, 15 anos de vida escolar, 4 anos de faculdade de comunicação e você não aprendeu a expressar os sentimentos.Fala o que te incomoda, é sarcástica, irônica e tem sempre uma resposta pronta nas suas crises de sinceridade brutalmente excessiva. Mas os sentimentos, aqueles doces, bonitos…
– Esses ficam aqui guardados.
– Chego a duvidar que você os tenha.
– Tenho! E como tenho! É errado proteger o que possuo de mais bonito e precioso?
– Errado não é, mas é estranho enclausurar coisas que se tornam ainda mais bonitas quando são compartilhadas.

Feliz Ano Novo!

ImageSó quando entrei no blog para atualizar é que percebi que há quase um ano não posto nada. 
Clichês: o tempo voa e parece que foi ontem.
Como é ano novo no ‘Escrevo’, me permito a promessa de postar com mais frequência ; e já me permito a indulgência de talvez não cumprir.  
Quebrar promessa de réveillon, quem nunca?
É que tudo mudou e nada mudou. Mas uma coisa é certa: eu ainda não sei desenhar.

Só um pouquinho de querer já tá bom.

Quis muito. Muito. MUITO.

Mas quis o incerto.

Quis não querer mais.

Aí, quis desligar o botão do querer e, sem querer, desliguei a chave geral.

Não quis mais nada. Na-da. NADA.

Oca. Vazia.

ONDE RELIGA ESSE BOTÃO PELAMORDEDEUS?

Cheguei à conclusão que é melhor querer alguma coisa, do que nada.  Mesmo que seja bobo. Que seja pouco. Que seja vergonhoso, até. E sabe por quê? Balão vazio não voa, bebê.

Eu, Flavia C.

Você é uma droga.

Causa euforia, alegria, alucinações, perturbações e dependência. Você me faz pensar que sua falta me faz mal; me faz querer sempre mais de você. Mas não é a falta, é a presença que não me faz nada bem.

Reconhecer o vício não é o primeiro passo?  Eu disse sim, sim, sim àquela rehab que a Amy disse ‘no’.

Todos os dias, levanto e faço promessas a mim mesma: só por hoje eu não vou te ligar, só por hoje eu não quero notícias suas, só por hoje não vou te stalkear, só por hoje foda-se você.

E tem dado certo, sabe? Posso dar testemunho:

“Oi, meu nome é Flavia, tenho 23 anos, sou viciada em você e estou limpa há 53 dias”.

Um só por hoje diariamente renovado.

Só por todos os dias.

[ ø ]

Sem essa de “eu me basto”!

No fundo, todo mundo quer ser parte.

Ser parte de um conjunto, ser semelhante a outros elementos, ser interseção. Porque solidão é insuportável! Solidão de alma, sabe? Daquela que não vai embora nem com ‘mils’ pessoas ao redor. Concordo com o poetinha: “É impossível ser feliz sozinho”.

Quem diz que vive bem sendo um elemento único é um grande mentiroso…

Porque a verdade é que essa coisa de conjunto unitário só funciona na matemática. Na vida real, todo conjunto unitário é vazio.