Dancing with herself

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Passava horas seguidas brincando sozinha. Sem achar solitário, sem ser autista, sem interferir no relacionamento com os coleguinhas da escola.

Sempre achou estranho quem tem necessidade de companhia constante; “Em que momento ele consegue ouvir a si mesmo se tem sempre alguém abafando a voz interior?” Você se diverte sozinha: cria situações cômicas, paranoias, perseguições, imagina diálogos, reescreve-os cinco vezes e dirige as cenas nas horas – dias até – em que fica só.  

E olha, você não precisa desgostar de ser assim, mas precisa admitir que não dá para dançar solo para todo o sempre. Porque eu sei que você é dura na queda da entrega, mas dessa vez você corre o risco de se apegar demais; curtindo muito a companhia que te entende, diverte e nunca vai embora: a própria.

Solilóquios

Image1.

– O problema é você.
–  …
– Fria, auto protegida ,distante, sempre na defensiva…
– Observe. Sempre que a embalagem é reforçada, o conteúdo é frágil.

 2.

– Cansei. Desgastou.
– Já?
– Um pneu de carro de Fórmula 1 não aguenta chegar ao final de uma corrida porque é usado até o limite. Mas o pneu de um carro de passeio roda por muito tempo; até careca, velhinho, ele dá pro gasto, né?
– É. Mas o que isso tem a ver?
– Desgastou. E não foi o tempo, foi  a intensidade.

3.

– Quase 25 anos, 15 anos de vida escolar, 4 anos de faculdade de comunicação e você não aprendeu a expressar os sentimentos.Fala o que te incomoda, é sarcástica, irônica e tem sempre uma resposta pronta nas suas crises de sinceridade brutalmente excessiva. Mas os sentimentos, aqueles doces, bonitos…
– Esses ficam aqui guardados.
– Chego a duvidar que você os tenha.
– Tenho! E como tenho! É errado proteger o que possuo de mais bonito e precioso?
– Errado não é, mas é estranho enclausurar coisas que se tornam ainda mais bonitas quando são compartilhadas.

Feliz Ano Novo!

ImageSó quando entrei no blog para atualizar é que percebi que há quase um ano não posto nada. 
Clichês: o tempo voa e parece que foi ontem.
Como é ano novo no ‘Escrevo’, me permito a promessa de postar com mais frequência ; e já me permito a indulgência de talvez não cumprir.  
Quebrar promessa de réveillon, quem nunca?
É que tudo mudou e nada mudou. Mas uma coisa é certa: eu ainda não sei desenhar.