Lar, doce lar.

Claro que está em todos os lugares que estou.

Claro que está o tempo todo comigo.

É que o lugar que você habita é aqui, dentro de mim.

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Entre aspas – Rita Apoena

” – E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)

— Ah, porque eu sou tímida.”

Rita Apoena

Fim?

Término não declarado.

Sem ponto final, sem the end.

Como naqueles filmes que você pensa: “vai ter continuação”.

Às vezes tem. Às vezes tem não.

É recíproco.

Sabe qual é uma das melhores coisas do mundo? Reciprocidade.

O que é recíproco é equilibrado: amar e ser amado, gostar de quem gosta de você, não ter simpatia por quem não vai com sua cara, santos que não se batem…

Estranho, difícil e incômodo é sentir por uma pessoa algo diferente do que ela sente por você.

Pois então.

Sabe qual é uma das melhores coisas do mundo? Reciprocidade.

Toda mulher tem um pouco.

Para inaugurar a tag “Entre aspas”, um texto antigo de Tati Bernardi. Pensei em resumir e colocar apenas um trecho, mas é um crime não poder desfrutá-lo na íntegra.

Enjoy.

“De puta, de criança, de maluca. Toda mulher tem um pouco.
Falo por mim porque vivi pouco tempo para fazer afirmações maiores.
Falo por mim porque estou egoistamente presa na minha própria descoberta e existência.
Mas pelo que tenho visto por aí, toda mulher tem um pouco de tudo. E como é difícil ser feliz com tantos poucos para agradar. Fora os milhares de hormônios que tornam cada um desses poucos mais do que dá para aguentar.
E a cada suspiro, meus poucos se atrapalham: estou feliz ou com medo? Estou cansada ou excitada? Estou carente ou encantada? Estou fria ou fugidia?
Numa única noite eu fui um pouco tudo, eu quis um pouco de tudo. Quando alguém vai acompanhar meu ritmo?
Eu quis que ele não soubesse meu nome, depois quis ter o dele logo depois do meu. Eu quis que ninguém soubesse de tamanha traição. Depois quis gritar na janela como o proibido era sopro no meu coração.
Eu quis sentir o poder de abalar com a vida dele. Depois quis que ele voltasse direitinho pra casa e esquecesse que existe a fraqueza.
Eu quis ele por uma aventura, uma risada, uma distração. Depois quis o colo dele para sempre, mas fiquei com o meu pouco puta estampado na cara.
Como eu preciso ser amada meu Deus, pra parar de dar de bandeja o meu sorriso por aí. Eu tenho meu pouco criança estampado em cada linha que escrevo e em cada bobeira que falo na espera de atenção.
Maluca? Nas raras vezes que sou séria, me sinto tão maluca, que devo ser sempre maluca.
De pouco em pouco encho o papo de ansiedade. Quando o muito virá?
Eu nunca poderia ser feliz sem meu pouco trágica. Eu nunca posso estar satisfeita sem meu pouco idealista e eu nunca poderei ser mulher porque ainda falta pouco, muito pouco, mas eu sei que sempre faltará.
Me completo de poucos, mas sigo esperando demais de tudo. Comida para cada um desses poucos que são buracos na minha alma.
Meu pouco puta, safada, tarada, não tem um pingo de compostura. Meu pouco criança sofre e se diverte com o meu pouco louca. Meu pouco adulta perdoa tudo porque tem total consciência do meu pouco criança.
Mas cada pouco espera o grande momento. A grande virada. O longo suspiro de paz.
Cada pouco espera o colo, a excelente trepada, o beijo silenciador de neuroses, o abraço aquecedor de angústias.
Cada pouca criatividade espera o salário digno, o carro novo, o cheiro de cada coisa minha conquistada, o sono de quem não deve um centavo a ninguém.
Corro no desespero desses dias, da vida que virá, dos sonhos realizados, da felicidade, do sorriso banguelo da pureza infinita de um ser gerado por mim. Da luz.
Meu pouco pessimista sabe que nada disso pode acontecer. Mas sigo com meu pouco otimista, aprendendo que ele a cada dia aumenta um pouco.
Quem em cada pouco põe tudo que é merece ser feliz. E muito.”

Tati Bernardi

Nostalgia do futuro

Tenho nostalgia pelas coisas que ainda não aconteceram;

Memórias do futuro que virá;

Lembro de diálogos, cheiros e sensações que só viverei depois;

Tenho déjà vu do amanhã;

Sinto saudades da vida que me espera.

Entendeu ou quer que desenhe?

“Eu escrevo porque não sei desenhar”. Li essa frase há muito tempo em algum lugar e já não me lembro mais de quem é (tão chato não dar os créditos), mas ela me marcou por expressar tão bem o que eu sinto: uso as palavras porque não sei desenhar. Me expresso em textos, vírgulas, pausas, ponto,parágrafo.

Aqui postarei o que escrevo, leio, vejo, ouço e sinto. Frases, trechos, poesias,livros, músicas, vídeos, propagandas e o que mais der vontade.

Espero que você tenha entendido, porque se eu precisar desenhar…er, melhor não.